Esse texto é continuação da matéria 'Encontros para fortalecer a rede' do Prevenção em Rede 09
 
Com aproximadamente duas mil instituições parcerias ao longo de Minas Gerais, a Central de Acompanhamento de Penas e Medidas Alternativas (Ceapa) tem o constante desafio de se manter viva na memória e na prática desta vasta rede social. Assim, o programa lança mão de uma série de estratégias para garantir a aproximação com as entidades, o que inclui participar de suas ações, promover seminários e outros eventos, realizar contatos telefônicos e visitas periódicas, além dos Encontros de Rede.
 
Sobre estes últimos, explica o diretor da Ceapa, Lucas Pereira de Miranda: "Pela metodologia, representam uma das atividades para orientar e capacitar a rede sobre o melhor desenvolvimento do trabalho de receber os usuários do programa, seja para uma prestação de serviço à comunidade, seja pena pecuniária. Como, em regra, o trabalho da Ceapa com as instituições é desenvolvido separadamente, de uma a uma, quando as reunimos temos o objetivo de dar um cenário sobre a amplitude de desenvolvimento do programa, permitindo a elas dialogarem sobre as possibilidades desse trabalho".
 
É o que se viu na manhã do último dia 26 de setembro, na Escola Estadual Tancredo Neves, do Bairro Tupi, região Norte de Belo Horizonte. Lá, estiveram reunidas a gestão social e a equipe técnica da Ceapa do Centro de Prevenção à Criminalidade (CPC) de base municipal de BH, nove representantes de instituições locais, além do já citado diretor do programa da Política de Prevenção Social à Criminalidade do estado.
 
Esse evento representou o primeiro da região Norte da capital no novo formato dos Encontros de Rede, que antes reuniam várias regionais e, agora, passam a constituir mini-encontros, com a presença de entidades apenas de uma mesma área. "O objetivo com a mudança é otimizar a aplicação de recursos com esse tipo de ação e proporcionar um espaço de diálogo maior e mais próximo entre as instituições", conta a técnica social da Ceapa, formada em Serviço Social, Luciana Soares de Oliveira.
 
Segundo ela, está prevista a realização até o final do ano de pelo menos mais um encontro referente à rede do CPC Centro de BH. Para o diretor Lucas, o desafio do programa nos 11 municípios em que atualmente trabalha no estado é manter uma regularidade nesses encontros porque são fundamentais: "Na medida em que o compartilhamento das experiências das instituições traz vida ao que estamos tentando dizer no cotidiano de trabalho da Ceapa, ocasiões como essas permitem um entendimento gigante sobre o tipo de política que queremos fazer".
 
Dinâmica
O encontro na E. E. Tancredo Neves foi aberto com um lanche para recepcionar e integrar os representantes das entidades convidadas. Depois de todos estarem acomodados nas cadeiras, dispostas em círculo, a técnica Luciana deu início à roda de conversa, fazendo primeiramente uma apresentação da Ceapa: "Um problema que enfrentamos com certa frequência é o da perda de informações e conhecimento sobre o programa, com a troca de gestores e representantes das instituições. Então, sempre iniciamos as reuniões revisando algumas informações sobre o nosso trabalho".
 
Ainda no começo da conversa e com o mesmo intuito de reforçar o conhecimento sobre a atuação da Ceapa, documentos de trabalho do programa foram compartilhados com os presentes, tais como as folhas de agenda e de ponto dos usuários e a carta de apresentação utilizada pelos mesmos, informando os prazos de cumprimento da medida e fornecendo orientações às instituições, tais como comunicar ao programa possíveis faltas dos usuários.
 
Em um momento seguinte, outra técnica da Ceapa, Natália Burgarelle Cardoso, formada em Direito, fez a apresentação de um caso como forma de destacar exemplos das questões que podem surgir no acolhimento aos usuários. O caso relatado dizia respeito a um rapaz que havia sido encaminhado ao programa e no atendimento apresentou dificuldades em se concentrar, olhar perdido e outros aspectos que sugeriam alguma demanda de saúde. Diante desse possível problema, que poderia comprometer o cumprimento da medida, a equipe acabou fazendo um contato com a família do usuário, em que se confirmou o uso de medicamentos controlados e a necessidade de um acompanhamento psicológico. "Foi interessante e fundamental para o prosseguimento da acolhida envolver outros atores no caso, como o Centro de Saúde, e reforçar os vínculos do usuário, por meio do contato com a mãe", destaca Natália.
 
Mais interativa, a parte final do encontro foi reservada à troca de relatos e ao compartilhamento de questões entre os representantes das entidades e da Ceapa.
 
 
 
CPC citado no texto:
 
CPC Centro – BH
Rua Espírito Santo, 466, 10° andar
Centro – Belo Horizonte/MG
(31) 2129-9392 | 2564 | 2572
 
 
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