Esse texto é continuação da matéria 'Vidas Seguras' do Prevenção em Rede 05

Distribuição de folhetos explicativos para motoristas e pedestres, além da exibição de faixas com frases que promovam uma direção mais segura. Essa é ponta visível da participação dos usuários da Central de Acompanhamento de Penas e Medidas Alternativas (Ceapa) nas blitzes da Lei Seca, em Belo Horizonte, dentro da campanha 'Sou Pela Vida. Dirijo Sem Bebida'. De acordo com a gerente de projetos da Ceapa, Mara Alves dos Santos, a participação nos grupos de trânsito (saiba mais) e no projeto 'Vida Segura' possibilita aos usuários uma aproximação maior com as leis de trânsito: “Além da conscientização pessoal, eles assumem um novo papel, de responsabilidade, alertando os outros motoristas para a importância do cumprimento das leis e para questões como o uso do cinto de segurança e não dirigir embriagado, por exemplo”.

Para a coordenadora pedagógica do Centro de Ensino Técnico (CENTEC) – instituição parceira da Ceapa na realização do Vida Segura –, Luciana Prates, a possibilidade de refletir sobre seus atos é o ponto chave do projeto, respondendo pelos bons resultados. “Nas dinâmicas de grupo do projeto, os usuários falam de sua realidade, de seu cotidiano no tráfego, e, a partir daí, conseguem ver que todo mundo têm dificuldades no trânsito”. Luciana lembra que esse espaço para pensar faz falta para os motoristas, afinal, hoje, a questão do trânsito nas grandes cidades é complexa e grande fonte de estresse e acidentes: “Com a crescente saturação das vias e a dificuldade de se mover pelo ambiente urbano, muitas vezes as pessoas acabam agindo de forma individual e olhando somente para o seu lado. Compreendendo o aspecto negativo dessa realidade, os usuários se tornam mais compreensivos e tolerantes com os outros”.

O jornalista A. C. crê que sua participação no projeto foi um ponto importante para mudar visão que ele tinha do trânsito: “Acho que toda medida socioeducativa é válida, pois o foco é trabalhar na pessoa um entendimento claro sobre o erro que cometeu. Nesse sentido, considero exemplar o trabalho feito pela Ceapa e o CENTEC, pois torna as pessoas mais comprometidas com a responsabilidade e a atenção redobrada tão importantes no trânsito”. A.C. reforça ainda o seu apoio à campanha e ao trabalho que vem sendo feito pelo projeto Vida Segura: “Acho que as blitzes têm que acontecer e o projeto Vida Segura tem que continuar, porque quanto mais atividades educativas como essa acontecerem, teremos uma conscientização no trânsito muito maior”.

Caminho aberto

Apenas em 2012, até o mês de agosto, a Ceapa já recebeu, nos municípios de Belo Horizonte, Santa Luzia, Governador Valadares e Uberlândia, mais de 700 usuários que cometeram infrações de trânsito e foram encaminhados pelas Varas Criminais e pelo Juizado Especial Criminal para o cumprimento de penas alternativas. Essas pessoas participam durante dois meses de atividades de sensibilização e reflexão, que buscam promover a mudança de atitude e de comportamento dos condutores.

Mara Alves, da Ceapa, explica que a participação dos usuários do projeto Vida Segura na campanha foi articulada entre a Coordenadoria Especial de Prevenção à Criminalidade (CPEC) e a Subsecretaria de Promoção da Qualidade e Integração do Sistema de Defesa Social, ambas vinculadas a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais (SEDS/MG). O objetivo era munir as blitzes com intervenções de caráter educativo, que contribuíssem para a conscientização e educação no trânsito.

Para o sargento do Batalhão de Polícia de Trânsito da Polícia Militar, de Belo Horizonte, Edson Ricardo Matanzas, a participação de mais atores na campanha é um ganho muito grande para a sociedade: “É muito importante, pois eles complementam de uma forma didática o trabalho que é feito pela Polícia Militar. Inclusive, dessa forma, as pessoas podem até perceber melhor a importância da questão, já que vêem que ela atrai a participação de outros órgãos”.

Luciana Prates, do CENTEC, destaca a qualidade da parceria com o programa Ceapa como um dos motivos para o reconhecido sucesso do projeto: “É um trabalho muito interligado e fundamental. O programa tem um contato importante com a rede social parceira e consegue dar encaminhamento a questões que, muitas vezes, nós não conseguimos resolver nos encontros que temos com os usuários. Essa interação afinada que temos com a Ceapa faz com que os usuários saiam ganhando”.

A coordenadora pedagógica observa ainda que a mudança de visão dos usuários não fica somente no âmbito do trânsito e vai muito além: ”É interessante, pois eles passam a ter uma visão diferente da Justiça. Se antes a viam como uma entidade punitiva, depois da experiência no projeto passam a vê-la como um poder que pode proporcionar o crescimento das pessoas”.

 

 
 
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