Esse texto é continuação da matéria 'Diagnóstico sobre o tráfico de pessoas do Prevenção em Rede 12

 

Para empreender o primeiro diagnóstico do gênero em Minas Gerais e lançar luz sobre o tráfico de pessoas no estado, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), no Triângulo Mineiro, em parceria com a equipe do Programa de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (PETP), sediado em Belo Horizonte, estão se debruçando sobre matérias jornalísticas, inquéritos policiais, denúncias, procedimentos administrativos e processos na Justiça, dentre outras fontes, datadas de 2004 a 2014, com o intuito de identificar as principais características da modalidade criminosa no território mineiro e sua relação com outras práticas crime e exploração.

Como informa a gerente do PETP, Letícia Cardoso Barreto, entre outras ações, a pesquisa irá traçar o perfil socioeconômico e demográfico de vítimas e autores de tráfico de pessoas, mapear as principais rotas e regiões de incidência do crime em Minas Gerais, visando identificar as áreas socialmente vulneráveis e propícias à ocorrência do fenômeno, bem como analisará as possíveis relações entre o tráfico de seres humanos e o desaparecimento de pessoas, especialmente crianças e adolescentes.

De acordo com a gerente, o caráter minucioso do trabalho, que garantirá à sociedade um retrato detalhado do tráfico de pessoas no estado, está relacionado à sua finalidade de embasar a implementação de políticas públicas: “O fenômeno do tráfico de pessoas é complexo e multifacetado, estando relacionado a questões migratórias, trabalhistas e de violações de direitos, sendo difícil de ser identificado e caracterizado”.

Letícia Cardoso explica ainda que há uma variedade de dados que são produzidos e divulgados sobre a modalidade criminosa, mas que existem poucas fontes fidedignas. “A pesquisa nos ajudará a produzir dados bem fundamentados e a compreender questões do fenômeno que tem aparecido no contexto mineiro, mas que carecem de aprofundamento”, projeta.

Parceria acadêmica
A realização do diagnóstico está a cargo da equipe coordenada pela antropóloga, professora adjunta da Faculdade de Medicina da UFU e integrante da rede de trabalho sobre gênero, migrações e tráfico de pessoas do ‘Cadernos Pagu’ da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Flavia do Bonsucesso Teixeira.

Segundo a professora, a primeira etapa do projeto já foi concluída com a realização das pesquisas bibliográficas e do levantamento documental: “Fizemos um cuidadoso levantamento bibliográfico, relacionando artigos, teses e dissertações sobre a temática, considerando o nosso compromisso acadêmico de conduzir uma pesquisa alicerçada na defesa dos direitos humanos e que estabeleça um diagnóstico preciso, diferenciando nosso objeto do fenômeno migratório convencional e do exercício voluntário da prostituição” – ideias frequentemente confundidas, como exemplifica o lançamento, em abril, de um guia para a imprensa a fim de qualificar a cobertura midiática do tema; veja aqui.

Sobre a cooperação entre as equipes do PETP e da UFU, Flavia Teixeira destaca que a capacitação conjunta realizada em maio e a contínua troca de saberes têm contribuído para um trabalho eficaz. “O diálogo entre as equipes e a afinidade teórica facilita a dinâmica da proposta e contribuirá para a produção de um diagnóstico efetivo no respaldo ao fortalecimento da política de enfrentamento ao tráfico de pessoas no estado”, confia a pesquisadora.

A previsão é de que o primeiro diagnóstico sobre o tráfico de pessoas em Minas Gerais esteja concluído em dezembro deste ano.

 

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